Nascimento da Consciência
Antropológica e historicamente, a sobrevivência equilibrada do homem e da sociedade tem estado sempre vinculada à ideia de um mito central, no qual se haurem os valores éticos de sustentação das suas atividades e do seu equilíbrio.
By Jefferson Allan
Toda vez em que fatores adversos interferem nos mitos humanos, desacreditando aquele que sintetiza as suas aspirações, os homens se encaminham para o caos e se agridem e se perturbam, parecendo haver perdido o rumo. Passada a tempestade, os seus remanescentes, não destruídos in totum, emergem, dando surgimento a uma nova ideação, e um mito criativo aparece preenchendo a lacuna deixada pelo anterior.
No estado atual da sociedade existe a carência de um mito predominante, que aglutine todas as mentes, sobre elas derramando as suas benesses e confortando-as.
A perda do mito expõe os conteúdos psíquicos, que alteram os objetivos das suas necessidades, fazendo-os mergulhar no vazio ou no desinteresse, no prazer ou na alucinação do poder.
Em se considerando que nenhum desses objetivos plenifica o indivíduo, ele passa a disputar a necessidade abrangente do despertar da consciência, interpretando os mitos menores nele jacentes.
Jung, em uma análise profunda, estabeleceu que “a existência só é real quando é consciente para alguém”, afirmando a necessidade que o Criador possui em relação ao homem consciente.
Oportunamente, voltou a esclarecer que “a tarefa do homem é (...) conscientizar-se dos conteúdos que pressionam para cima, vindos do inconsciente”.
Esse despertar e crescimento da consciência, ainda segundo o eminente psicanalista, termina por afetar-lhe também o inconsciente.
É obvio que, se os conteúdos psíquicos emergentes formam a consciência, as contribuições atuais desta se irão incorporar ao inconsciente que surgirá mais tarde.
Deste modo, o nascimento da consciência se opera mediante a conjunção dos contrários, como decorrência de uma variada gama de conteúdos psíquicos, que formam as impressões arquetípicas ao fazerem contato com o ego, dando surgimento à sua substância psíquica e tornando todo esse trabalho um processo de individuação.
Daí surgem os discernimentos entre as coisas opostas, o eu e o não eu, o ego e o inconsciente, o sujeito e o objeto, a própria pessoa e a outra.
Dando campo aos conflitos, este sentimento que enfrenta e contesta torna-se uma forma altamente criativa de luta, cuja vitória proporciona satisfação, ampliação e aprimoramento da
vida.
Sem essa dualidade dos opostos, que leva à reflexão, no processo de individuação, não há aumento real de consciência, que somente se opera entrando em contato com os opostos e os absorvendo.
A consciência, do ponto de vista filosófico, é “um atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se caracteriza por uma oposição básica, essencial.
E o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo — bem como aos denominados estados interiores e subjetivos — a distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração...
https://horoscopo.sonhosbr.net.br/flavio-gikovate/o-amor-como-meio-nao-como-fim-flavio-gikovate.html
Por sua vez, declara, ainda, Jung a consciência é “a relação dos conteúdos psíquicos com o ego, na medida em que essa relação é percebida como tal, pelo ego”.
E conclui que “as relações com o ego que não são percebidas como tal são inconscientes”.
Estabelece, ademais, a diferença entre consciência e psique, que esta última “representa a totalidade dos conteúdos psíquicos” e como esses conteúdos, na sua totalidade, não estão vinculados no ego, tais não são consciência.
Nos mitos centrais de todos os povos, os opostos formaram a essência das suas crenças, dos seus conteúdos psíquicos geradores da consciência.
Encontramo-los nas religiões da antiguidade oriental e, particularmente, no mito da Criação, no qual, os conflitos da treva e da luz, do bem e do mal são relevantes.
O Zoroastrismo também o ressuscitou e, mais tarde, a alquimia facultou o surgimento da Pedra Filosofal como mediadora dos opostos, do Santo Gral, como depósito que compõe as bases da consciência humana, a se avolumar através dos tempos, dando, desde o início, a ideia das suas várias expressões, tais: a consciência
moral, a consciência de fé, a consciência do dever, de justiça, de paz, de amor...
Os equipamentos constitutivos da consciência sutilizam-se, e adquirem mais amplas percepções que facultam o desenvolvimento emocional e ético do homem, auxiliando-o na liberação de conflitos.
As heranças atávicas, que se convertem em arquétipos, no inconsciente individual e coletivo dizem respeito às realidades do Espírito, em si mesmo responsável pelos resíduos psíquicos, que se transformam nos conteúdos
preponderantes para a formação da consciência.
O homem deve adquirir o conhecimento para elevar-se do ser bruto, tornando-se o sujeito detentor da consciência. Não lhe bastará conhecer, mas também, viver a experiência de ser o objeto conhecido.
Não somente conhecer de fora para dentro, porém, vivenciar o que é conhecido, incorporando-o à sua realidade.
Enquanto o ego conhece, o outro passa a ser um objeto detido, conhecido, o que não plenifica.
Esta satisfação advém quando o ego, passando pela vivência do que conhece, torna-se, por sua vez, conhecido pelo outro, que também tem a função de sujeito conhecedor.
O ego adquire, desse modo, a consciência autêntica, no momento em que é sujeito que conhece o objeto conhecido.
Indispensável, nesse jogo do conhecer sendo conhecido, que se não crie uma dependência em relação à pessoa que conhece.
A vida saudável é a que decorre da liberdade consciente, capaz de enfrentar os obstáculos e dificuldades que se
apresentam no relacionamento humano e na própria individualidade.
Esta é a meta que a consciência almeja.
(Divaldo Franco/Joanna de Ângelis - O Homem Integral)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga
By Jefferson Allan
Toda vez em que fatores adversos interferem nos mitos humanos, desacreditando aquele que sintetiza as suas aspirações, os homens se encaminham para o caos e se agridem e se perturbam, parecendo haver perdido o rumo. Passada a tempestade, os seus remanescentes, não destruídos in totum, emergem, dando surgimento a uma nova ideação, e um mito criativo aparece preenchendo a lacuna deixada pelo anterior.
No estado atual da sociedade existe a carência de um mito predominante, que aglutine todas as mentes, sobre elas derramando as suas benesses e confortando-as.
A perda do mito expõe os conteúdos psíquicos, que alteram os objetivos das suas necessidades, fazendo-os mergulhar no vazio ou no desinteresse, no prazer ou na alucinação do poder.
Em se considerando que nenhum desses objetivos plenifica o indivíduo, ele passa a disputar a necessidade abrangente do despertar da consciência, interpretando os mitos menores nele jacentes.
Jung, em uma análise profunda, estabeleceu que “a existência só é real quando é consciente para alguém”, afirmando a necessidade que o Criador possui em relação ao homem consciente.
Oportunamente, voltou a esclarecer que “a tarefa do homem é (...) conscientizar-se dos conteúdos que pressionam para cima, vindos do inconsciente”.
Esse despertar e crescimento da consciência, ainda segundo o eminente psicanalista, termina por afetar-lhe também o inconsciente.
É obvio que, se os conteúdos psíquicos emergentes formam a consciência, as contribuições atuais desta se irão incorporar ao inconsciente que surgirá mais tarde.
Deste modo, o nascimento da consciência se opera mediante a conjunção dos contrários, como decorrência de uma variada gama de conteúdos psíquicos, que formam as impressões arquetípicas ao fazerem contato com o ego, dando surgimento à sua substância psíquica e tornando todo esse trabalho um processo de individuação.
Daí surgem os discernimentos entre as coisas opostas, o eu e o não eu, o ego e o inconsciente, o sujeito e o objeto, a própria pessoa e a outra.
Dando campo aos conflitos, este sentimento que enfrenta e contesta torna-se uma forma altamente criativa de luta, cuja vitória proporciona satisfação, ampliação e aprimoramento da
vida.
Sem essa dualidade dos opostos, que leva à reflexão, no processo de individuação, não há aumento real de consciência, que somente se opera entrando em contato com os opostos e os absorvendo.
A consciência, do ponto de vista filosófico, é “um atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se caracteriza por uma oposição básica, essencial.
E o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo — bem como aos denominados estados interiores e subjetivos — a distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração...
https://horoscopo.sonhosbr.net.br/flavio-gikovate/o-amor-como-meio-nao-como-fim-flavio-gikovate.html
Por sua vez, declara, ainda, Jung a consciência é “a relação dos conteúdos psíquicos com o ego, na medida em que essa relação é percebida como tal, pelo ego”.
E conclui que “as relações com o ego que não são percebidas como tal são inconscientes”.
Estabelece, ademais, a diferença entre consciência e psique, que esta última “representa a totalidade dos conteúdos psíquicos” e como esses conteúdos, na sua totalidade, não estão vinculados no ego, tais não são consciência.
Nos mitos centrais de todos os povos, os opostos formaram a essência das suas crenças, dos seus conteúdos psíquicos geradores da consciência.
Encontramo-los nas religiões da antiguidade oriental e, particularmente, no mito da Criação, no qual, os conflitos da treva e da luz, do bem e do mal são relevantes.
O Zoroastrismo também o ressuscitou e, mais tarde, a alquimia facultou o surgimento da Pedra Filosofal como mediadora dos opostos, do Santo Gral, como depósito que compõe as bases da consciência humana, a se avolumar através dos tempos, dando, desde o início, a ideia das suas várias expressões, tais: a consciência
moral, a consciência de fé, a consciência do dever, de justiça, de paz, de amor...
Os equipamentos constitutivos da consciência sutilizam-se, e adquirem mais amplas percepções que facultam o desenvolvimento emocional e ético do homem, auxiliando-o na liberação de conflitos.
As heranças atávicas, que se convertem em arquétipos, no inconsciente individual e coletivo dizem respeito às realidades do Espírito, em si mesmo responsável pelos resíduos psíquicos, que se transformam nos conteúdos
preponderantes para a formação da consciência.
O homem deve adquirir o conhecimento para elevar-se do ser bruto, tornando-se o sujeito detentor da consciência. Não lhe bastará conhecer, mas também, viver a experiência de ser o objeto conhecido.
Não somente conhecer de fora para dentro, porém, vivenciar o que é conhecido, incorporando-o à sua realidade.
Enquanto o ego conhece, o outro passa a ser um objeto detido, conhecido, o que não plenifica.
Esta satisfação advém quando o ego, passando pela vivência do que conhece, torna-se, por sua vez, conhecido pelo outro, que também tem a função de sujeito conhecedor.
O ego adquire, desse modo, a consciência autêntica, no momento em que é sujeito que conhece o objeto conhecido.
Indispensável, nesse jogo do conhecer sendo conhecido, que se não crie uma dependência em relação à pessoa que conhece.
A vida saudável é a que decorre da liberdade consciente, capaz de enfrentar os obstáculos e dificuldades que se
apresentam no relacionamento humano e na própria individualidade.
Esta é a meta que a consciência almeja.
(Divaldo Franco/Joanna de Ângelis - O Homem Integral)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga